Universidade de Coimbra lidera investigação sobre como o cérebro processa emoções positivas de outras pessoas
A Universidade de Coimbra (UC) está a coordenar um projeto de investigação que pretende compreender de que forma o cérebro processa as emoções positivas de outras pessoas e qual o impacto dessa perceção nas relações sociais.
O estudo, designado ARROW: Neural Correlate for the Perception of Others Reward, vai decorrer até 2028 e conta com um financiamento de 156 778 euros, atribuído no âmbito das Ações Marie Skłodowska-Curie Post-doctoral Fellowships. O projeto será desenvolvido entre Portugal e França.
A investigação é conduzida por Flavia Ricciardi, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC (CNC-UC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), sob supervisão da investigadora Cristina Márquez, especialista em comportamento social.
De acordo com a equipa, a perceção das emoções positivas em terceiros tem recebido pouca atenção da comunidade científica, apesar de ser relevante para o bem-estar e para a empatia. O objetivo é identificar os mecanismos biológicos que desencadeiam este tipo de respostas emocionais, procurando contribuir futuramente para novas abordagens terapêuticas em perturbações psiquiátricas, onde esta perceção está frequentemente comprometida.
Resultados anteriores já permitiram observar, em modelos animais, que a Área Tegmental Ventral responde não apenas à recompensa própria, mas também à recompensa dos outros, sugerindo que os mesmos circuitos cerebrais podem estar envolvidos em ambos os processos.
O projeto ARROW pretende aprofundar o estudo destes mecanismos e perceber como são utilizados para orientar decisões pró-sociais, ou seja, decisões que beneficiam outras pessoas

