Saúde

Mais de 85% dos portugueses defendem mais investimento em cuidados paliativos

Mais de 85% dos portugueses consideram que os cuidados paliativos devem ter prioridade elevada no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A conclusão resulta de um estudo da Universidade de Coimbra (UC), realizado em maio deste ano, que analisou a perceção da população sobre os cuidados em fim de vida e o local de morte preferencial.

De acordo com os resultados, 67,1% dos inquiridos defendem que os cuidados paliativos devem ter prioridade máxima no SNS, enquanto 18,3% atribuem prioridade alta a esta área da saúde.

O estudo revela também que a maioria da população prefere morrer em casa. No total, 65,4% dos participantes indicaram essa preferência, sendo que 58,1% escolheriam a própria habitação e 7,3% a casa de familiares ou amigos. Apenas 8,1% referiram preferir uma unidade de cuidados paliativos.

Outro dado destacado pela investigação mostra que mais de metade dos inquiridos (55,1%) já cuidou ou apoiou um familiar ou amigo próximo nos últimos meses de vida.

Segundo Bárbara Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e coordenadora do estudo, os resultados poderão contribuir para a definição de políticas públicas nesta área, reforçando a necessidade de adequar as respostas do SNS às preferências manifestadas pela população.

A investigadora Mayra Delalibera, coautora do trabalho, sublinha que os dados apontam para a necessidade de reforçar os cuidados paliativos domiciliários. A responsável destaca ainda que a preferência por morrer em casa aumentou em comparação com um estudo semelhante realizado em 2010, passando de 51% para 65%.

O estudo refere também que o número de equipas domiciliárias especializadas em cuidados paliativos no SNS se mantém semelhante ao de há uma década, apesar do apoio de novas equipas criadas através do Programa Humaniza, promovido pela Fundação “la Caixa”.

A investigação foi realizada entre 8 e 24 de maio de 2026 e contou com financiamento da Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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