Estudo da Universidade de Coimbra associa “genes-relógio” à insónia crónica
Uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra identificou alterações na expressão de pelo menos três “genes-relógio” associadas à insónia crónica. O estudo recorreu ainda a inteligência artificial para distinguir pessoas com insónia de pessoas saudáveis, com uma precisão de 92%.
A investigação foi liderada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) e pelo Centro de Inovação em Biotecnologia e Biomedicina (CiBB), em colaboração com a Universidade de Aveiro. Participaram também o Centro de Medicina do Sono da Unidade Local de Saúde de Coimbra e a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Os chamados “genes-relógio” estão envolvidos na regulação do ritmo circadiano, o sistema interno que influencia funções como o sono, a temperatura corporal e a produção de determinadas hormonas ao longo do dia.
Segundo o estudo, as alterações identificadas estão também associadas a níveis de cortisol e melatonina e à temperatura corporal, parâmetros que podem apresentar alterações em pessoas com perturbações do sono.
A investigação analisou pessoas com insónia crónica, incluindo participantes com sono de curta duração, e comparou os resultados com os de pessoas sem a doença. Entre os participantes com este subtipo de insónia, definido no estudo como dormir menos de seis horas, foram observadas alterações nos sinais relacionados com o ritmo circadiano, bem como temperaturas corporais e níveis de cortisol mais elevados durante a noite.
Através de machine learning, os investigadores conseguiram distinguir os participantes com insónia dos participantes saudáveis com 92% de precisão e identificar os dois subtipos de insónia analisados: sono de curta duração e sono de duração normal.
Para a equipa, os resultados abrem a possibilidade de estudar os “genes-relógio” enquanto potenciais biomarcadores da insónia, uma doença que atualmente não dispõe de marcadores biológicos específicos para o diagnóstico.
O artigo científico, intitulado Clock gene signature predicts insomnia and links to sleep/circadian parameters, foi publicado na revista Translational Psychiatry.

